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Este livro teve início como projeto de pesquisa para uma Tese de Doutorado em Antropologia Social. Todavia, muito cedo ficou patente que, a despeito de ser assunto que prende a atenção de historiadores, antropólogos, sociólogos, arqueólogos e milhares de pessoas interessadas em formações sociais outrora existentes, uma ampla divulgação de seu conteúdo seria mais difícil se fosse mantida a idéia original - quer pela pequena amplitude de público das teses defendidas frente a bancas universitárias (o que é uma pena!), quer pelo tipo de linguagem que muitas destas mesmas bancas costumam exigir em uma tese (mantendo o conhecimento científico bem guardadinho em especificidades técnicas e, portanto, distante da população leiga ou não especializada!). Decidi, assim, transformá-lo em um documento acessível a um maior número de pessoas, acadêmicas ou não, visando dar-lhes informações de cunho histórico, etnográfico e arqueológico que enriqueçam sua visão de mundo e lhes permitam um entendimento ampliado de uma importante parcela das culturas desenvolvidas da América do Sul antes da Conquista Européia. Especificamente, neste caso, o Estado Imperial Inca. Porque o Estado Imperial Inca, ou Tahuantinsuyo, foi a culminância histórica de um processo humano ininterrupto que teve início no Período Neolítico, há pelo menos 50.000 anos, e permitiu o gradativo estabelecimento da hegemonia socioeconômica da etnia Inca na porção ocidental do continente sulamericano entre 1438 e 1533, a partir dos Andes Centrais Peruanos. Por isto, já que as bases para o futuro Estado Imperial Inca desde muito cedo foram estabelecidas pela seqüência de etnias e culturas que por milênios a fio habitaram a região, uma abordagem ampla o suficiente para retratar este Estado Imperial e o modo de fazer, agir, pensar e sentir dos homens e mulheres que compunham o Tahuantinsuyo terá de forçosamente englobar suas perspectivas histórica, social, econômica, cultural, cosmológica e política, de forma tal que não se privilegie nenhuma em detrimento de outras mas do conjunto delas se nutra, visando recompor em frias páginas de papel (ou imagens estáticas no display) a vida pujante daqueles mesmos homens e mulheres. Na introdução deste trabalho, portanto, e apenas neste sentido, faço minhas as palavras do antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro1: este "estudo é uma tentativa de integração das abordagens antropológica, sociológica, econômica, histórica e política (...) Cada uma dessas abordagens ganharia em unidade se isolada das demais, mas perderia em capacidade explicativa (...) Como antropólogo, suponho que esta integração possa ser melhor alcançada sob a perspectiva da antropologia, que, por sua amplitude de interesses e por sua flexibilidade metodológica, está mais habilitada a empreender obras de síntese" (grifo e parênteses meus). |