

A tecnologia e as artes
no Tahuantinsuyo

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No que diz respeito às artes, à tecnologia e ao artesanato desenvolvidos e praticados no Tahuantinsuyo, a primeira e natural divisão é a que diz respeito à sua finalidade: Aqui também não se pode esquecer o que Waldemar Espinoza Soriano nos ensina84: "É impossível catalogar o que tenha sido aportado pela etnia Inca à civilização andina ou até mesmo à universal. Isto decorre do fato de que tudo o que os Inca tiveram de bom foi tomado dos povos anteriores. Nenhum avanço científico nem tecnológico se produziu nos Andes durante o incário (...) Tudo foi uma magnífica recriação, invenção ou descoberta de sociedades mais antigas" (grifo e parênteses meus).
Porque, como sintetiza o antropólogo brasileiro Luiz Gonzaga de Mello85, "a invenção, como processo cultural, embora realizada por indivíduos deve ser vista e estudada como seqüência natural do processo cultural (...) A cultura penetra em toda a vida do homem, dando-lhe uma conformação específica (e) uma conformação também especial de todo o cenário onde se desenrola o drama humano. Já dissemos textualmente que onde o homem põe os pés, deixa de existir a natureza 'pura'. Isto ocorre precisamente porque a cultura é como uma bola de neve: à medida que rola, vai aumentando o seu porte e vai modificando tudo à sua passagem" (parênteses meus).
Tendo se desenvolvido em ecorregiões muito variadas, especialmente quando se recorre a região de Leste a Oeste, as etnias andinas - e entre elas a Inca - desde sempre tiveram de se adaptar a zonas tropicais, temperadas, frias, muito frias ou até nevadas, com o agravante de que em boa parte da zona montanhosa e na costa pacífica havia pouca água disponível para agricultura e nas encostas escarpadas o solo era notadamente pedregoso; desta forma, não somente a geologia como também a orografia e flora e fauna eram variegadas ao extremo, obrigando à criação e ao desenvolvimento de diferentes técnicas agropastoris. Por outro lado, a ausência de máquinas (dado o desconhecimento do ferro e da roda) e de animais de tração (os camelídeos, como a llama e a alpaca, têm pouca resistência à carga de peso), aliada aos fortes declives da maior parte das encostas, inviabilizava a utilização de arados manuais de arrasto, o que obrigou a um sem-número de invenções culturais. Oscilando entre as planícies da costa pacífica - ricas em pescado, vegetais e moluscos - e as áridas estepes das punas em grande altitude - onde a possibilidade de agricultura era escassa (excessão feitas a batatas e cactáceas comestíveis) e predominavam os camelídeos (llamas, alpacas e vicuñas) e o cuy ("porquinho-da-Índia") -, submetidas a secas prolongadas ou abundantes aluviões, granizos e nevascas, deslizamentos de encostas e constantes abalos sísmicos próprios de uma região geológica ainda bastante recente, as diferentes etnias tiveram de desenvolver um conjunto de elaboradas técnicas agrárias, hidráulicas e de conservação de alimentos para garantir a obtenção e a preservação das colheitas e dos produtos animais e artesanais necessários à sua sobrevivência. Assim, começando pela costa Oeste, subindo pouco a pouco a Cordilheira e baixando para as regiões de selva a Leste (Amazônia e Mata Central da América do Sul), os povos andinos desde sempre conheceram e nomearam ao menos oito pisos ecológicos distintos, como se vê no Quadro XVIII.
Ecorregiões ocupadas pelas culturas andinas
Fundamental para ampliar a superfície agricultável e permitir o uso produtivo das escarpas e aclives pedregosos da cordilheira, foi a invenção das cochas, sulcos artificiais executados nas encostas das punas para armazenar águas pluviais, e dos patapata ("andenes"), superfície de cultivo artificialmente nivelada em degraus; já no litoral, onde o problema central era a ausência de chuvas, utilizava-se huarohuaros ou huachos, terrenos com elevações artificiais para drenar e conter as águas pluviais, e mahamaes, terrenos escavados até o atingimento de capas de águas freáticas, no subsolo. Vejamos um a um. As cochas eram em geral circulares e com até 50 metros de diâmetro, realizando-se a semeadura em suas margens e interligando-se as várias cochas com um sistema de canais, para o aproveitamento da água da chuva; desta maneira, a um tempo só era garantida a manutenção da fertilidade do solo e evitada a erosão. Os patapata, chamados andenes pelos espanhóis, eram terraças agrícolas análogas às encontradas em inúmeras regiões do globo (especialmente na Ásia e Melanésia) e construídas em encostas montanhosas. Para sua execução se levantava muros de contenção de pedra e barro, dispunha-se uma capa de cascalho na base e em suas laterais (para facilitar a drenagem e a aeração) e por fim eram preenchidos com terra de cultivo, de forma a frear a erosão, ampliar a fronteira agrícola, reter a umidade do solo e formar microclimas. A largura dos andenes era determinada pelo produto que nele seria produzido e seus diferentes níveis se interligavam por canais de irrigação, fundamentais ao cultivo e à boa utilização das águas.
Deve-se lembrar que os andenes serviam a dois propósitos distintos: os de contenção, mais estreitos, protegiam as escarpas contra deslizamentos, enquanto os de cultivo, mais largos, serviam como superfície agricultável.
Corte esquemático de um andene
Andenes em Pisa'q
Andenes em Chinchero
Escada lateral de andene, em Ollantaytambo
Corte esquemático de huarohuaros
(Para se ter uma idéia da estrema utilidade de tais técnicas de preparação e uso do solo, basta lembrar que em 1972, 440 anos após o início da conquista espanhola, continuavam em uso no Peru quase 1 milhão de hectares de andenes, 78.000 hectares de huarohuaros e 53.000 hectares de cochas: naquele ano, este total de 1.128.000 hectares equivalia a 48,15% da superfície agricultável da serra peruana.) Além destas técnicas de preparação e uso do solo, as etnias andinas classificavam os solos para definir suas propriedades e, portanto, qual tipo de colheita apresentaria maior produtividade; com este objetivo, levavam em conta sua temperatura, cor e profundidade.
As coniallpas eram terras em clima quente e as chiriallpas eram terras em clima frio; além disso, e de acordo com sua capacidade produtiva (da maior para a menor), o solo poderia ser yanaallpa (terra negra), ancashallpa (terra azul), socoallpa (terra marrom), cauquaallpa (terra argilosa) e yuracallpa (terra branca); finalmente, o solo poderia ser atunallpa (terra muito profunda) ou caraallpa (terra pouco profunda).
Para arar, destorroar, sulcar, semear, colher e limpar a terra aderida a raízes e túbérculos, contudo, havia a necessidade de ferramentas agrícolas; assim, as etnias andinas também desenvolveram instrumental específico para tais finalidades. Em toda a região andina, notadamente na parte serrana, a ferramenta essencial para a agricultura foi a chaquitaclla, com provável origem na região de Cusco em pelo menos 2.500 a.C. e gradual difusão por todo o Tahuantinsuyo. Verdadeiro "arado de pé", a chaquitaclla servia para arar a terra, semear, colher e até mesmo abrir canais de irrigação.
Diferentes tipos de chaquitaclla
Seu comprimento variava de região para região, umas vezes ultrapassando a altura de um homem, outras indo apenas até seu ombro, e era manejada com o auxílio de pés e mãos: enquanto o agricultor a segurava com as mãos, impulsionando com o pé esquerdo para romper a superfície da terra sem danificar a contextura do solo (como ocorre com os modernos implementos agrícolas), as mulheres depositavam sementes nos sulcos assim abertos.
O uso da chaquitaclla
Diversas ferramentas agrícolas
Para preservar os alimentos as técnicas também variavam, dependendo da matéria-prima utilizada: tubérculos ou carnes.
No caso dos tubérculos, com batatas amargas e negras ou brancas preparava-se o chuño, de duas espécies: Além disso, expunham batatas inteiras ao frio por uma noite apenas, obtendo o cachuchuño. O chuño podia ser guardado por muito mais tempo que os tubérculos inteiros, pelo menos até a seguinte temporada de inverno, além de requerer um muito menor espaço de armazenamento. No que diz respeito à preservação de carnes (principalmente a de llamas - llamacharqui ou cauracharqui - e a de veados), a técnica era a de obtenção de peças charqueadas pela ação do vento e frio noturno e do sol. O procedimento era semelhante ao que até hoje se pratica em muitas regiões do globo, exceção feita ao fato de que poucas vezes usavam sal (cachi): mantas de carne eram expostas à intempérie em cordas ou no teto das casas, com os ossos partidos mas não retirados, após ter permanecido até três dias em vasilhas de barro. Em uma ou duas semanas, dependendo da temperatura local, as capas de carne charqueada estavam prontas para ser armazenadas. Se a exposição tivesse sido de no máximo duas semanas, as peças duravam até oito meses; nos casos em que expunham as mantas de carne por dois meses, todavia, os charques tinham durabilidade de até dois anos.
Este último tipo, o de maior durabilidade, era produzido para as práticas de escambo, que demandavam produtos de muito menor perecibilidade. Todo o trabalho agrícola era planejado e executado de acordo com as estações do ano e suas características climáticas, o que obrigava o conhecimento de noções precisas de astronomia e meteorologia. Tendo conhecimento de que a revolução solar em torno da Terra durava cerca de um ano (huata) e que este período se dividia em meses (quilla, segundo Garcilaso de la Vega86 o mesmo nome dado à Lua, pelo fato de os períodos mensais serem contados pelas fases de lua nova), os Inca estabeleceram um calendário anual de doze meses e dividiram cada mês em três períodos de 10 dias. O ano não começava no mesmo dia em todas as etnias que compunham o Tahuantinsuyo, embora sempre tivesse doze meses; assim, em Cusco o ano começava em dezembro (solstício de Verão), em Collao iniciava entre agosto e setembro e no Chinchaysuyo o ano principiava em junho, época do surgimento da constelação das Plêiades. A etnia Inca, dado o curto tempo histórico de sua hegemonia, não chegou a impor em todo o território sob seu domínio a relação de meses e as atividades rituais a eles agregadas, da forma como a praticava, tal qual se vê no Quadro XIX.
O Calendário Inca e suas festas
Entre a etnia Inca, os cálculos de tempo com base em observações astronômicas eram geralmente feitos pelos amautas dos ayllu Tarpuntae, clã incumbido de alimentar os mallquis nas huacas e do qual em geral se extraía o Sumo Sacerdote do Deus-Sol.
Para tais cálculos haviam sido erigidos pilares de pedra (sucangas) nas cercanias de Cusco, desde Pachacútec, qual relógios solares que permitiam definir com precisão o início e término de cada mês e ano, e se construía em cada templo religioso ou llacta um intihuatana (corruptela hispânica de intihuata, "ano do Sol", de inti, "sol", e huata, "ano" - e não "poste onde se amarra o Sol", como os guias turísticos teimam em ensinar), pedra especialmente esculpida e situada com fins de medição do percurso solar no correr do ano para definição precisa do calendário.
O intihuatana de Machupicchu
Além de teares horizontais ou de solo, dispostos em estacas curtas, utilizava-se teares de cintura: uma das extremidades do tear era fixada num poste ou árvore, enquanto a outra era amarrada a uma faixa na cintura da tecelã; movendo artefatos de madeira ou osso pelo urdume, qual lançadeira e pente, a trama é tecida com fibras têxteis ou fios de lã.
No caso dos tecidos mais finos, especialmente os destinados ao uso da nobreza cusquenha e suas práticas de poder, havia especialistas encarregados de dirigir e supervisionar todas as etapas da produção: os cumbiqamayoc, verdadeiros mestres da artesania têxtil.
Tear de solo nos arrabaldes de Cusco (contemporâneo)
Tear de cintura na cidade de Cusco (contemporâneo)
Sem utilizar o torno giratório de pé, dado o desconhecimento do princípio da roda, produzia-se cerâmica com modelação manual em formas variadas, tanto antropomorfas quanto zoomorfas, desde objetos muito pequenos para uso ritual até enormes urpos para fermentação e armazenamento de chicha.
Mesmo produzindo pratos, floreiros, jarros, travessas, panelas com alças e vasos esferóides, até onde se sabe a única inovação cerâmica genuína da etnia Inca foram os urpos, enormes peças de cerâmica com gargalo estreito e longo, alças para transporte e fundo terminado em ângulo, que foram denominadas de arybalos pelo antropólogo Max Ühle.
Um urpo decorado
Vale lembrar o antropólogo norte-americano Melville J. Herskovits87: "as artes, nas condições da cultura euro-americana, foram dissociadas da corrente principal da vida. A criação artística é função do especialista, enquanto que a apreciação do que estes especialistas criam é privilégio dos que, pelo menos, dispõem de ócio para se dedicar à sua vocação. (Mas) Pode-se dizer com segurança que não há sociedades ágrafas em que predominem distinções desta ordem. A arte é uma parte da vida e não se acha dela separada. Isto não implica de modo algum a não-existência de nenhuma especialização nestas culturas, porque onde quer que o impulso criador entre em jogo se encontram indivíduos que se sobressaem ou são ineptos em sua execução" (grifo e parênteses meus). Dava-se igual no Tahuantinsuyo, no que diz respeito à arte e, dentro desta, à metalurgia. Destinadas principalmente a fins ornamentais ou rituais e não utilitários, as peças de metal eram feitas com ouro, prata, cobre, estanho, bronze (liga de cobre e estanho), platina e tumbaga, (liga de cobre e ouro. Para isto, os artesãos do Estado Imperial Inca fundiam os metais em fornos cerâmicos ou de barro denominados huayras, com o auxílio de tubos para assoprar ou o direcionamento de ventos naturais (por não terem desenvolvido foles), e os vazavam em moldes obtidos com a técnica hoje denominada de "cera perdida": modelado o objeto desejado em cera, esta é revestida de barro e cozida, volatilizando-se e deixando um molde vazio para ser preenchido pelo metal. Também repuxavam o ouro e a prata com moldes e pequenos pedaços de madeira utilizados como martelos (embora não tenham conhecido o martelo com cabo), obtendo objetos de rara delicadeza para a técnica existente: máscaras mortuárias, broches para mantos, copos e taças para bebidas rituais, brincos, alfinetes de cabelo, peitorais e luvas funerárias etc.; no caso de jóias e objetos rituais de ouro, prata e tumbaga, costumavam cravar pedras preciosas e semi-preciosas. Para este trabalho e a produção de colares, pulseiras, brincos, prendedores, tumis rituais, vilachucos (espécie de solidéu metálico do Sumo Sacerdote do Sol), huamparchucos (espécie de mitra de ouro e pedras preciosas), placas decoradas, efígies de plantas e animais e outros objetos para adornar as casas da nobreza e os templos do Culto ao Deus-Sol em todo o Tahuantinsuyo, certas etnias eram requisitadas pelo Estado, já que as técnicas de metalurgia e joalheria não eram difundidas junto à população mais comum.
Desta forma, com esta função membros das etnias Chimú, Moche e Ishma eram levados a Cusco e os joalheiros das regiões costeiras eram dispensados de tarefas agropastoris.
Luvas funerárias de ouro (Cultura Chimú)
Detalhe de um tumi (Cultura Chimú)
A pintura Inca nunca rivalizou com a dos Nasca, servindo apenas de elemento de decoração de residências nobres e de acabamento de peças cerâmicas, têxteis e dos queros, grandes recipientes de madeira para fins cerimoniais e rituais, com a boca mais larga que a base e formato campanular, embora tenha havido queros com formato de felinos, crânios humanos e homens silvícolas (antis).
Além de servir para registrar em grandes painéis seus principais mitos, especialmente os guardados no templo de Puquinacancha, perto de Cusco, a pintura Inca gravou nos queros variadas cenas da flora, fauna e vida cotidiana do Tahuantinsuyo, donde o extremo valor documental de tais objetos.
Queros de madeira
Finalmente, as práticas de arquitetura e estatuária. A arquitetura Inca se notabilizou pelo uso intensivo da pedra polida e encaixada (especialmente a partir do estágio Imperial), ao contrário das etnias anteriores ou subjugadas, que se valiam principalmente da pirca ("pedra e barro") ou do adobe. Seus templos e moradias tinham um único piso, plano e retangular; as paredes apresentavam o topo ligeiramente pendente para dentro, conformando blocos trapezoidais extremamente resistentes aos freqüentes abalos sísmicos, e a cobertura era feita com madeira e palha (stipa ichu), lajes de barro ou tetos de esteira coberta de lama.
Janelas, portas e ornacinas (como os espanhóis chamavam os recintos de pouca profundidade situados nas paredes internas, para uso ritual ou guarda de objetos) seguiam também o formato trapezoidal, com a base mais larga que o topo.
Estilo trapezóide Inca Imperial em Pisa'q
Os blocos de pedra eram arrancados das jazidas com o uso de fogo e cunhas de madeira embebidas em água, quando não com rústicas ferramentas de cobre e bronze (aproveitando as rachaduras naturais das rochas de diorita e andesita), para ser transportados sobre areia úmida, puxados com cordas e sem o concurso de animais de tração, e ser finalmente trabalhados e colocados no local previsto sem o uso de qualquer tipo de argamassa, utilizando até mesmo um sistema de encaixes macho-e- fêmea esculpidos em pedra bruta.
Encaixe perfeito das pedras, para resistir a abalos sísmicos
Ainda hoje, em vários locais do que foi o Tahuantinsuyo se vê a superposição de estilos diferentes de construção com pedra, resultado dos séculos que nos separam do auge do Estado Imperial Inca: é que por muito tempo após a Conquista as etnias locais continuaram usando as construções que hoje compõem os vários parques arqueológicos andinos, alterando-as conforme a necessidade.
A iIustração 56, por exemplo, registra três tipos de construção na mesma murada: na base à direita se vê o encaixe perfeito de pedras finamente polidas mas ainda não "almofadadas", como são as que estão à esquerda na base; e acima, eventualmente completando uma parede que teria sido derrubada mas sem o expertise dos artesãos inca imperiais, vê-se o uso de pirca, ou pedras irregulares assentadas com barro.
Três estilos de construção em Pisa'q
Pedras almofadadas ("almohadilladas") em Cusco
Finalmente, uma peça específica da estatuária Inca era o huayque (ou huaoqui), efígie do Sapainca (ou outro nobre) em tamanho natural e esculpida em ouro ou outro material precioso, para ser adorada como seu "duplo". Diz Victor Angles Vargas88 que "eram esculturas veneradas tanto quanto os mallquis, por ser depositárias da alma do morto. O termo (huayque ou huauque) também significa irmão. Os huayques eram retratos feitos como ídolos e considerados o 'duplo' de um nobre falecido (...) Cada inca mandava fazer a estátua que representava sua própria pessoa e com certa solenidade e cerimônia a tomava como irmão. Feitas à sua semelhança e em tamanho natural, umas eram lavradas em ouro e outras em prata, pedra ou outro material, tinham casa e eram atendidas por sua linhagem (panaca) ou parcialidade (saya). O huayque era feito durante a vida da pessoa que representava e, após o falecimento desta, era guardado juntamente com seu mallqui, ou múmia. O huayque em geral era ricamente vestido e a ele se faziam sacrifícios notáveis" (parênteses meus).
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