
Assim, por milênios a fio a astrologia foi parceira da Medicina, da Agricultura, da Economia, da Política, da caça, da guerra, da religião e da arte do aconselhamento pessoal em todas as culturas conhecidas. É
que num tempo em que os campos de estudo não eram tão separados entre
si, como veio acontecendo mais e mais na cultura ocidental a partir
do Século XIX, e os cientistas das mais várias especialidades mantinham
a noção do Todo em tudo que estudavam, sempre supondo que de alguma
forma os inúmeros aspectos da Vida se associavam entre si e se interinfluenciavam
mutuamente, a astrologia era poderosa indicadora
de alternativas na tomada de decisões e importante instrumento de conhecimento
do "oculto", isto é, de tudo aquilo que não estava disponível à percepção
imediata dos cinco sentidos e do pensamento
racional do ser humano, pois se partia do princípio de que tudo o que
se quer saber sobre o que ocorre na Terra já está disponível para informação
nos céus.
As múltiplas especializações da Química, da Física, da Biologia, da Sociologia, da História, da Geografia, da Economia e do Direito se desenvolveram, entrelaçando-se em um sem-número de técnicas utilíssimas como a Medicina, a Engenharia, a Informática ou a Astronomia, apenas para mencionar algumas das subespecializações necessárias à enorme quantidade de atividades que caracterizam o mundo moderno. Com isso, entretanto, nosso mundo se esqueceu de que, como já escreveu o teólogo católico Teillard de Chardin, "até agora temos olhado a matéria como tal, isto é, de acordo com suas qualidades e em qualquer volume dado, como se nos fosse possível quebrar um fragmento e estudar a amostra separada do resto! Já é tempo de mostrar que este processo não passa de um truque intelectual. Considerado em sua realidade física, concreta (...) o universo não pode dividir-se mas, como uma espécie de 'átomo' gigantesco, forma em sua totalidade ... o único verdadeiro indivisível (...) Quanto mais extensa e profundamente penetramos na matéria, com métodos cada vez mais poderosos, tanto mais nos confunde a interdependência das suas partes (...) Em toda a nossa volta, até onde a vista alcança, o universo permanece uno, e só é realmente possível um modo de considerá-lo, a saber, encarando-o como um todo, numa só peça". Ou, segundo o físico Erwin Schroedinger, fundador da Mecânica Quântica, uma das principais correntes da Física contemporânea, "por mais inconcebível que pareça à razão comum, nós — e todos os outros seres conscientes como tais — somos tudo em tudo" (grifo meu). Mas como tais suposições contrariavam o que para a ciência dos Séculos XVII, XVIII e XIX parecia ser "a verdadeira realidade", a qual sempre poderia ser mensurada para conhecimento mais eficiente, os conjuntos de conhecimentos como os da astrologia estavam fadados a permanecer como vestígios de um passado inculto, desinformado e irracional — no mínimo, supersticioso e imaturo— do ser humano... Entretanto, exatamente no século em que as ciências contemporâneas avançaram numa velocidade até então inimaginável, aproximando o ser humano das distâncias intergalácticas e levando-o ao mesmo tempo a visitar as regiões sub-atômicas, e exatamente quando tudo parecia fazer crer que a astrologia desapareceria do conjunto de recursos que o ser humano poderia continuar a utilizar em sua busca incansável de conhecimentos, o que verificamos? Ano a ano a astrologia mais e mais se fortalece, associada à Medicina, à Administração de Empresas, à Agricultura, à Política, à Mineração e, como não poderia deixar de ser, à Psicologia. Afinal, se as razões mais profundas do comportamento de cada pessoa residem no inconsciente da própria pessoa, como nós veremos no correr deste livro, e se mesmo com as incontáveis conquistas científicas modernas é cada vez maior o número de pessoas infelizes e descontentes consigo mesmas, nada mais natural do que todas as formas possíveis de conhecimento serem aplicadas à busca do auto-entendimento pessoal e interpessoal. Porque,
no fundo, todas as pessoas desejam uma só e mesma coisa, cada uma à
sua maneira e medida: ser feliz através da realização de seus potenciais
pessoais e da tentativa de superação de seus limites! Veremos as diferentes modalidades de ajuda que se tornam possíveis com este instrumento, veremos em quais conhecimentos científicos tal possibilidade se fundamenta e, principalmente, veremos para quais aspectos íntimos e pessoais da vida de cada indivíduo (afetividade, assertividade, sensualidade, sexualidade, criatividade, intelectualidade e espiritualidade, entre outros) o precioso recurso da Astrologia Clínica se oferece. Este livro não foi escrito para especialistas em Psicologia, Medicina, Educação, Economia, Administração de Empresas ou mesmo astrologia; contudo, aqueles que já têm especialização em alguma área envolvida com a tarefa de ajudar o ser humano a se desenvolver e a se realizar, como a Pedagogia, a Psicologia (Clínica, Educacional ou Institucional), a Medicina (alopática, homeopática ou naturalista, em seus múltiplos ramos) e o Sacerdócio (de quaisquer religiões ou seitas), poderão encontrar aqui um recurso precioso de aperfeiçoamento de suas atividades diárias. Ao fim, o leitor interessado em aprofundar seus conhecimentos neste fascinante ramo do conhecimento humano — a astrologia e, mais particularmente, a Astrologia Clínica, tema central desta obra — encontrará um glossário e uma bibliografia auxiliar; vale a pena avançar um pouco mais, pois o horizonte que assim se descortinará compensa largamente os esforços para tanto! Por fim, um agradecimento pessoal e público a quatro profissionais na delicada arte do aconselhamento pessoal: pela ordem de surgimento e pelo imenso efeito positivo em minha vida, Maria Thereza Albuquerque (psicoterapeuta), Malu (estudiosa do Tarô), Heloísa Prada (intérprete de I Ching) e Walter Correa (astrólogo profissional). Sem estas quatro pessoas, e sem os princípios que aprendi com meus pais (ou herdei deles), pessoas de rara qualidade humana, muito pouco teria sido possível em minha tarefa de me aperfeiçoar e me oferecer aos outros, quer como terapeuta, quer como astrólogo, quer ainda como escritor. Muito obrigado
a eles e a todos que me ensinaram que valeria a pena acreditar em mim
mesmo. |