APÊNDICE 2


EXEMPLOS DE ANÁLISE CLÍNICA
DE CARTAS ASTROLÓGICAS NATAIS



I

INTRODUÇÃO


1. As análises clínicas que a seguir você verá mostrarão de forma resumida o conjunto de informações que é possível extrair de uma carta natal, durante uma entrevista devolutiva astrológica clínica.

São cartas natais reais e apenas omito, por razões éticas, a identidade das duas pessoas analisadas aqui.

Evidentemente o resultado global da entrevista devolutiva "ao vivo" é sempre muito mais rico do que qualquer apresentação por escrito, pois a contínua participação do cliente sempre enriquece o trabalho — quer interrompendo para solicitar mais detalhes, quer dando depoimentos ilustrativos de uma dada passagem, quer ainda manifestando alguma discrepância entre o que sente ou reconhece e o que está lhe sendo dito: a cada momento da entrevista, cliente e astrólogo são duas pessoas em interação dinâmica, intermediadas pelo material de diagnóstico, agindo, reagindo e nutrindo um ao outro durante todo o encontro.


2. Cada carta natal é extremamente singular — como cada psique também o é; portanto, nada mais ingênuo do que supor que qualquer interpretação astrológica clínica discutirá conteúdos e dinâmicas inconscientes sempre iguais.
Todavia, talvez você identifique parte (ou aspectos) das análises clínicas que serão apresentadas aqui com algum processo de vida ou forma de comportamento já vivenciados por você ou presenciados na história de alguém; não esqueça, então, de que alguns dos componentes a ser aqui discutidos poderão fazer parte de outras psiques, já que ninguém é absolutamente original em suas características pessoais, mas a mescla com outros conteúdos inconscientes, de qualidade e intensidade diferentes, é que dará um retrato global sumamente diferenciado de indivíduo para indivíduo.


3. Caso você conheça muito pouco de astrologia (ou até mesmo não conheça nada), seguem abaixo os símbolos astrológicos mais comuns para você poder identificá-los nas cartas natais deste Apêndice (Signos, Planetas, Asc para o Ascendente, FC para o Fundo do Céu, Dsc para o Descendente e MC para o Meio do Céu.
Além disto, veja a Tabela de aspectos astrológicos, ou ângulos geométricos, existentes entre os componentes da carta, e no correr das interpretações eu destacarei em negrito os símbolos envolvidos com cada conteúdo e dinâmica inconsciente identificados:

Signos
Áries
Libra
Touro
Escorpião
Gêmeos
Sagitário
Câncer
Capricórnio
Leão
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Aquário
Virgem
Peixes


Planetas
Sol
Júpiter
Lua
Saturno
Mercúrio
Urano
Vênus
Netuno
Marte
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Plutão


Aspectos
Conjunção00o (+/-10o)
Sextil60o (+/-06o)
Quadratura90o (+/-10o)
Trígono120o (+/-10o)
Quincúncio150o (+/-05o)
Oposição180o (+/-10o)



4. Por fim, uma ressalva: todo conteúdo presente no psiquismo se associa a outros conteúdos ou dinâmicas e sempre, de alguma forma e com intensidade variável, se manifesta através de alguma forma de comportamento, mesmo que compulsivo e contrário às intenções conscientes da pessoa (tão mais inconsciente esteja). Assim, tanto ao mencionar traços pessoais dos indivíduos analisados adiante, quanto ao discutir as formas de comportamento de seus pais no lar de primeira infância, não estou emitindo julgamento algum de valor ou de caráter, pois não compete ao diagnosticista, bem como ao terapeuta ou aconselhador, opinar sobre o valor moral deste ou daquele comportamento.
Trata-se, isto sim, de identificar um cenário inconsciente de desejos e intenções, e as formas compulsivas de comportamento dele decorrentes, para devolver à pessoa a possibilidade de alterar o que lhe pareça necessário em si mesma. Neste sentido, cabe aqui lembrar um conceito do filósofo francês Jean Paul Sartre: "pouco importa o que fizeram de nós; o que realmente importa é o que fazemos do que fizeram de nós"




II

A ANÁLISE CLÍNICA DE UMA
CARTA ASTROLÓGICA NATAL FEMININA




1. Trata-se de mulher nascida em Fortaleza, às 14:00 do dia 05 de maio de 1962.


2. Do ponto de vista estrutural, isto é, começando pelos traços de comportamento determinados por conteúdos próprios de sua estrutura psíquica básica inconsciente, esta mulher é pessoa fortemente inclinada a racionalizar tudo aquilo com o que se envolve, dada a predominância de sua função pensamento (quatro planetas em signos de Ar); se este traço indica um perfil marcadamente autodidata, baseado em evidente superdotação intelectual (Quadratura Urano e Mercúrio), com grande facilidade de aprendizado, ampla curiosidade mas extrema dificuldade em se adaptar a tarefas intelectuais que não a agradem, ao mesmo tempo é marcante sua necessidade de aprender a lidar com o mundo através das outras funções da consciência.

Pessoa marcadamente extrovertida (sete planetas no Hemisfério Norte da carta), com facilidade percebe os dados do meio ambiente que a rodeia e deixa na obscuridão o que se lhe passa por dentro, ignorando sua realidade emocional e sentimental; deverá aprender a prestar mais atenção consciente ao próprio interior, através de práticas de auto-conhecimento e auto-integração, visando diminuir este descompasso e escapar ao pesado desconhecimento de si mesma a que desde muito cedo se impôs.

Apresentando genuína vocação para o desempenho de tarefas partilhadas (cinco planetas em signos Mutáveis), com excessiva facilidade assume responsabilidades e papéis que não lhe competem, cobrindo-se de culpas por não conseguir cumpri-las todas; como, além disso, é pessoa com grande necessidade orgânica de reposição e descanso, dada a facilidade de se estressar (apenas um planeta em signo Cardeal), com muita freqüência se esgota e termina culpando os outros por tal ocorrência.

Apresenta intensos traços de paranormalidade mas extremo medo de viver tal possibilidade (Sol em Casa VIII, oposto a Netuno), devendo canalizá-la através de grupos de estudo e prática espiritual, ocasião em que também poderá satisfazer a necessidade de aproximação com sistemas filosóficos e espirituais mais organizados e estruturados (Júpiter em Trígono com Netuno) e com material diretamente ligado às áreas do conhecimento esotérico e/ou psicológico profundo (Sol em Casa VIII, oposto a Netuno que rege a Casa VII).

É portadora de extrema facilidade de articulação de linguagem, quer escrita, quer verbal (Mercúrio em Gêmeos, em Conjunção com Vênus), devendo encaminhar-se profissionalmente para áreas de intercâmbio de comunicação ou cultural (Meio do Céu em Gêmeos, Ascendente em Virgem, ambos os signos regidos por Mercúrio); tal facilidade, se treinada, sugere o que poderá vir a ser uma redatora prolífica (mal treinada, porém, aponta a tagarela!); e, em virtude de seu extremo potencial criativo e muito forte capacidade imaginativa (Sol oposto a Netuno), poderá também dedicar-se à criação de contos, crônicas e historietas de suspense e ficção psicológica (Cúspide da Casa XII em Leão, regido pelo Sol, e Netuno em Escorpião, signo que rege sua Casa III).

É mulher fortemente sexualizada, assim como de temperamento mais impulsivo e arrojado também nestas áreas (Marte em Áries e na Casa VII, sendo Áries a Cúspide da Casa VIII), tendo sido entretanto submetida a pesado controle de sensualidade e sexualidade, como veremos adiante (Saturno em Trígono com Vênus, Sextil com Marte e Sol em Touro); desta forma, à medida que elimine de seu inconsciente as marcas de uma primeira infância impeditiva de uma auto-imagem feminina mais segura de si, deverá emergir uma intensa busca de prazer sexual e de auto-realização (Saturno em Casa V).


3. Nascida em uma casa centralizada pela figura materna (Sol em Touro, Lua e Vênus conjuntas e em Quadratura com Plutão) e tendo por modelo masculino um pai ausente, omisso e provavelmente alcoólatra (Netuno oposto ao Sol e em Quadratura a Saturno), esta mulher desde muito cedo sofreu a influência de uma atmosfera restritiva de qualquer manifestação pessoal de identidade (Sol em Quadratura com Saturno e em Casa V).

O lar sofria intensamente, dada a insegurança produzida pelo comportamento paterno, o que fez com que a criança desenvolvesse um profundo hábito de estar "sempre alerta", impondo-se uma rigidez protetora (Sol em Quadratura com Saturno) e desenvolvendo pesados ressentimentos contra quaisquer figuras masculinas ou de autoridade.

Por seu lado, a mãe desta menina impunha severo controle sobre todas as suas reações emocionais espontâneas (Sol em Touro e Lua em Quadratura com Plutão), vindo até a desenvolver, durante a fase de puberdade e adolescência, uma intensa competição feminil com a filha (provavelmente, por não admitir outra mulher dentro de casa, mecanismo comprovável por reações adversas contra empregadas, faxineiras, amigas da filha etc.); desta forma, aos poucos a criança foi aprendendo a não expor sua própria feminilidade, quer através de afetos, quer através de manifestações sensuais e de sedução, abalando a própria auto-estima como mulher.

Suas manifestações intelectuais espontâneas desde cedo foram impedidas ou no mínimo não incentivadas (Saturno em Trígono com Mercúrio), embora de forma branda, o suficiente para instilar-lhe insegurança em manifestar os resultados do próprio pensamento; como conseqüência, desenvolveu-se uma funda necessidade de afirmar as próprias opiniões (Saturno na Casa V, em signo de Ar e em Quadratura com Sol), inda mais por se tratar de criança superdotada intelectualmente (Mercúrio em Gêmeos, Mercúrio em Quadratura com Urano e quatro planetas em signos de Ar) , o que futuramente a levaria a uma pequena disponibilidade em aceitar idéias e opiniões alheias com facilidade.

O lar desde cedo se revelou preenchido de poderosas fantasias de traição amorosa e afetiva (Plutão em Quadratura com Lua e Vênus, Saturno em Trígono com Vênus), bem como de mentiras (Sol em oposição a Netuno), o que gradativamente desenhou na criança o que futuramente se manifestaria como uma profunda desconfiança em relação a quase qualquer pessoa.

Intensamente impedida de manifestar sua originalidade e criatividade (Saturno em Casa V), principal forma da criança afirmar-se no meio ambiente, já que assim se afastaria dos rígidos modelos de identidade impostos pelos pais e principalmente pela mãe (Sol em Touro, em Quadratura com Saturno), esta mulher desenvolveu uma intensíssima necessidade de auto-afirmação, enquanto "alguém que merece ser aceita incondicionalmente", o que futuramente a levaria a não acreditar que alguém pudesse amá-la ou dela gostar exatamente como ela é; ao mesmo tempo, em decorrência deste tipo de pressão ambiental, futuramente ela pressionaria duramente todas as pessoas com quem viesse a se envolver, visando obter esta aceitação quase que a qualquer preço, nem que tivesse de abrir mão de si mesma e de seus direitos pessoais para tanto.

"Não consigo imaginar que alguém não goste de mim!": eis uma frase constante em suas fantasias.

Caso esta pessoa não se disponha a trabalhar as marcas emocionais de memória decorrentes desta estrutura doméstica de primeira infância, dificilmente conseguirá assumir a própria identidade pessoal, já não bastasse a excessiva ligação amorosa com a mãe e com sua maneira de proceder! (Lua em Conjunção com Vênus e Mercúrio, sendo este último o regente do Ascendente e do Meio do Céu), sem conseguir manifestar-se de forma criativa no mundo externo; será necessário identificar e rever emocionalmente os muitos e pesados momentos em que a excessiva cobrança de desempenho a impedia de viver sua naturalidade e a forte emocionalidade de que é portadora (Plutão em Quadratura com Lua), para que ela possa se livrar do medo de ser o que é, da insegurança em ser mulher e dos fortes mecanismos de auto-cobrança e cobrança excessiva dos outros (como forma inconsciente de vingança contra os pais).

Graças a estas estruturas inconscientemente dispostas pelo meio ambiente, esta carta astrológica natal sugere inclusive a ocorrência de fantasias (senão mesmo comportamentos) homossexuais, não por escolha mas, sim, por compulsão: de um lado, uma figura masculina excessivamente aversiva, a despeito de personagem central de vigorosas fantasias eróticas da menina-moça (Sol na Casa VIII, oposto a Netuno em Escorpião) ; de outro, uma figura feminina controladora ao extremo e sobre a qual houve um depósito excessivo de amorosidade; ao meio, uma mulher profundamente insegura sobre a própria identidade, ao mesmo tempo em que se percebe fortemente sexualizada e sequiosa de afeto e carinho.


4. Quanto à figura masculina predominante no ambiente de primeira infância, o mínimo que se pode dizer é que esta mulher não dispõe de dados seguros sobre que tipo de homem seu pai era: dada a alta taxa de omissão dele (Sol em Touro, Sol em Quadratura com Saturno e Sol oposto a Netuno), e pelo fato de ser um verdadeiro "camaleão" no que diz respeito ao próprio comportamento (Sol em oposição a Netuno), este pai apresentava um perfil que em geral sugere a necessidade de uma minuciosa "pesquisa familiar": como ele era, na verdade? como se comportava? qual a origem de seus problemas reais? o que o levava a mentir tanto, a beber ou eventualmente a se embriagar? terá ele tido iniciativas sexuais com a própria filha? o que ele fazia com seu dinheiro, já que a Carta natal de sua filha o mostra como um perdulário? mantinha um segundo lar? ele viajava com freqüência? com que fim?

Toda e qualquer pesquisa familiar — e para isto ela poderá utilizar o grande potencial de repórter- investigadora que possui (Ascendente em Virgem, tendo o Ascendente e o Meio do Céu regidos por Mercúrio que está em Gêmeos) — poderá fornecer dados preciosos sobre este homem, já que informação alguma que ela tenha sobre o próprio pai é digna de crédito (quer pelo próprio comportamento paterno, quer pelas práticas maternas de controle).

À medida que descubra e entenda melhor o comportamento real do pai, e desta forma possa trabalhar o profundo ressentimento que carrega contra ele (Sol em Quadratura com Saturno), a despeito de ter sempre lamentado profundamente o quão "perdedor" o pai era (Sol em Touro, em Quadratura com Saturno e em oposição a Netuno), esta mulher poderá compreender melhor os homens dos quais se aproxima, bem como romper o ciclo vicioso que a tem levado a buscar homens indefinidos e inseguros (Sol em oposição a Netuno) como companheiros para quaisquer relações — sempre "vítimas" à procura de uma "salvadora" e eventualmente até mesmo homossexuais, como uma forma a mais dela referendar o que supõe ser a sua própria homossexualidade e como modo de se afastar de homens efetivamente viris, sempre produtores de forte desconfiança e aversão.

Sem dúvida esta mulher herdou do pai (e de ambos os lados de seu clã, tanto o paterno quanto o materno) uma propensão à drogadicção (Sol na Casa VIII, regente da Casa XII, em oposição a Netuno na Casa II, com o regente da Casa VIII conjunto à Lua e em Quadratura com Plutão), razão pela qual se faz prudente que controle o consumo de drogas, bebidas e remédios em geral, dada a facilidade de estabelecer dependência ou mesmo sofrer uma overdose; por outro lado, o depósito inconsciente de erotismo sobre o pai foi tão pronunciado (Sol em Casa VIII e Marte em Áries na Casa VII), podendo até mesmo derivar de iniciativas sensuais e sexuais paternas contra a filha, que haverá uma intensa resistência a qualquer trabalho mais aprofundado das seqüelas que o convívio com este homem deixou em seu psiquismo.

Isto, se por um lado explicaria uma eventual suposição de "só ser necessário" trabalhar a mãe e a péssima relação com ela, por outro informaria a um bom terapeuta a real dimensão dos conflitos subjacentes em relação ao pai.


5. Porque, independentemente de quais conflitos hajam por ser trabalhados em relação à figura masculina — e não são poucos! —, o principal desafio desta mulher é a figura materna, a partir da qual construiu a própria auto-imagem: mulher ambiciosa (Sol em Touro), tanto materialmente quanto de poder e controle (Lua e Vênus conjuntas, em Quadratura com Plutão), a mãe não deu o menor espaço para que sua criança pudesse desenvolver identidade pessoal e consolidar sua feminilidade (Sol em Touro, em Quadratura com Saturno na Casa V).

Pessoa profundamente insegura enquanto mulher e até mesmo revoltada contra a própria feminilidade ("é um horror ser mulher!), a mãe apresentava uma profunda dificuldade de contatar-se produtivamente com a própria realidade biológica básica e com sua feminilidade (Júpiter em Quadratura com Lua e com Vênus); desta forma, sentia-se insegura como mãe, como companheira e como mulher capaz de ser desejada, competindo pesadamente com a filha neste sentido.

Envolvia-se principalmente com o desempenho de papéis sociais de convívio (Júpiter em Quadratura com Vênus), com freqüência se afastando das próprias emoções e sentimentos (Júpiter em Quadratura com Lua) em prol do bom desempenho social.

Pessoa com pronunciada labilidade emocional (Urano em Quadratura com Lua), seu estado de espírito era sempre uma surpresa — por vezes extremamente desagradável, dado o fato de em meio às violentas explosões emocionais que manifestava, como conseqüência de constante contenção da manifestação de emoções (Lua em Quadratura com Plutão) mas precário controle emocional (Lua em Conjunção com Mercúrio), atuar com excessiva crueldade impositiva ou violenta contra a filha.

Entretanto, a figura materna sempre pareceu aos olhos desta mulher poderosa demais... Profundamente contaminada por material arquetípico (Plutão em Quadratura com Lua), a imagem percebida da mãe sempre atribuiu a ela um poder demasiado e, portanto, irrevogável; desta forma, como a menina poderia algum dia ter se oposto à sua vontade e desejo?

Ao mesmo tempo, fizesse o que fizesse a mãe contra a criança, houve um excessivo depósito amoroso na figura materna (Lua em Conjunção com Vênus e com o regente do Ascendente e do Meio do Céu), identificável pela ligação simbiótica futura entre as duas e mantida pela filha mesmo contra a vontade.

Obviamente esta Carta natal aponta uma dupla vinculação amor-ódio extremada (Lua em Conjunção com Vênus e em Quadratura com Plutão), base de futuros e intensos sentimentos de culpa na filha ao trabalhar a imagem materna e as seqüelas emocionais que deste convívio ficaram contra a sua feminilidade e identidade pessoal.

Outro ponto a destacar era o conjunto de práticas manipulatórias de controle que a mãe utilizava em geral — inclusive contra a filha (Júpiter em Quadratura com a Lua e em oposição com Plutão). Tendo sido uma mãe que se sentia ameaçada por qualquer manifestação espontânea emocional ou de individualidade, ela castraria qualquer vontade da criança (Lua em Quadratura com Plutão) se necessário fosse para conter sua extrema voluntariosidade; esta carta inclusive indica a mãe "agourenta" (Lua em Quadratura com Plutão), aquela que, como "último recurso", amargamente roga pragas: "você vai ver que não vai dar certo!".

Como resultado, esta mulher busca compulsivamente controlar toda e qualquer relação pessoal com a qual se envolve, através de posturas "martirizadas" de sofrimento e dor (Júpiter em Peixes, em oposição com Plutão), impedindo manifestações mais espontâneas de si mesma e dos outros por acreditar que poderá perder o controle e ver tudo destrutivamente ir à deriva (Plutão em Casa XII); tal compulsão está na base das paixões obsessivas que desenvolve (Vênus em Quadratura com Plutão), marcadas por fortes fantasias de traição mas dominadas por forte anseio de fidelidade (Vênus em Trígono com Saturno).

Portadora de vigorosa sexualidade, como eu já disse (Sol na Casa VIII e Marte em Áries, em Sextil com Vênus e em Sextil com Saturno), e detentora de forte sex-appeal, esta mulher com freqüência e compulsivamente utiliza pesadas táticas de sedução sensual (Plutão em Quadratura com Vênus) para obter o que mais deseja: aceitação enquanto pessoa e afeto incondicional (Saturno em Casa V). Sem perceber, contudo, que tal estratégia não garante aceitação incondicional e, ao contrário, só a mantém numa roda-viva de desempenho supostamente mantenedor de segurança, enquanto não questionar este quadro geral e não tomar medidas no sentido de alterar o que nele está disposto, não conseguirá tranqüilidade ou sentir-se feliz.


6. Deverá desenvolver o potencial de superdotação intelectual que possui, de base fortemente intuitiva (Urano em Quadratura com Mercúrio) mas com excelente capacidade potencial de metodização do pensamento (Saturno em Trígono com Mercúrio); para isto, todavia, será preciso disciplinar-se através de exercícios de concentração de atenção, posto que o meio ambiente de primeira infância foi excessivamente indisciplinador de suas possibilidades de pensamento (Urano em Quadratura com Mercúrio) e está na base de sua extrema dispersividade (Mercúrio em Gêmeos e em Quadratura com Urano).

Ao mesmo tempo, poderá canalizar para áreas de atividades política o poder carismático que possui (Sol em Trígono com Plutão), ocasiões em que poderá estar exercendo o poder impessoal que busca contaminar sua esfera mais pessoal de relacionamentos (Plutão em Quadratura com Lua, Vênus e Mercúrio e oposição com Júpiter) e terá, então, um espaço coletivo onde se exercer; tais atividades não necessariamente têm de ser de política partidária, até porque esta mulher se daria melhor numa posição de "eminência parda" (Sol em Casa VIII, em Trígono com Plutão em Casa XII), podendo se dar através de associações de classe, participação ativa em condomínios ou consórcios de interesse, organizações de bairro ou de pais e mestres etc.

Por fim, se puder transformar o vigoroso movimento interno que carrega de controlar ferreamente toda e cada palavra que pronuncia (Plutão em Quadratura com Mercúrio), vindo da mãe, assim como sua tendência conspiratória e secretiva, poderá realizar-se como poderosa oradora ou copy-desk (preparadora de originais, em editoras e redações de jornais e revistas, cuja função é melhorar o texto dos outros).

Para tudo isto, entretanto, deverá realizar um profundo trabalho de resgate das lembranças de primeira infância que ficaram emocionalmente incrustadas no seu próprio inconsciente e a têm afastado de si mesma.

Um trabalho que dificilmente chegará a bom termo sem uma abordagem terapêutica profissional.




III

A ANÁLISE CLÍNICA DE UMA
CARTA ASTROLÓGICA NATAL MASCULINA




1. Trata-se de um homem nascido em São Paulo, às 04:20 do dia 10 de dezembro de 1956.


2. Estruturalmente falando, isto é, como comportamentos derivados de seu tipo psicológico natural, é um homem extremamente intuitivo, o que o leva a perceber com facilidade o que aqueles que o rodeiam desejam ou pensam (quatro planetas em signos de Fogo); isto, se por um lado faz dele alguém que "saca os outros" com rapidez, o leva a crer que todos tenham a mesma capacidade e o impede de expor mais a si mesmo e aos seus desejos.

À medida em que se treine em se mostrar mais vezes, mesmo quando creia já ter sido entendido, para se certificar de que o outro — seja quem for — está realmente ciente do que se lhe passa "por dentro", verá diminuir em muito o número de vezes em que se decepciona por crer que o outro o percebeu mas fez por não levá-lo em consideração, quando na verdade foi ele quem não se mostrou e, por isto, não foi percebido...

Assim como na carta natal feminina que vimos logo atrás, este homem também manifesta vigorosa inclinação à partilha de si mesmo em tarefas (cinco planetas em signos Mutáveis), com intensa dificuldade em dizer não quando solicitado a ajudar; em seu caso, todavia, em virtude de ocorrências perinatais e de primeira infância (que veremos adiante), instalou-se uma pesada crise de assertividade (Saturno conjunto ao Ascendente, na Casa I). Desta forma, para ele é mais necessário ainda aprender a selecionar as vezes em que assumirá tarefas que não as suas, para evitar a muito freqüente exploração, pelos outros, de sua solicitude compulsiva.

Dada a dificuldade de contato consciente com sua função pensamento (nenhum planeta em signo de Ar), em geral este homem não acredita no próprio potencial intelectual, a despeito de possuir marcados traços de genialidade conceitual (Marte em Trígono com Urano, Mercúrio em Sextil com Netuno e em Trígono com Plutão); à medida em que se disponha a submeter o resultado de seus processos lógico-dedutivos (esta é a mais natural forma de elaboração de suas conclusões, como seu Mercúrio em Capricórnio nos informa) à avaliação de outros a quem respeite, poderá desenvolver uma maior segurança interna em relação à própria intelectualidade.

Não fosse a pesada crise de assertividade instalada, efetivamente seria um self-starter, isto é, uma pessoa que "faz as coisas andarem por sua própria iniciativa" (sete planetas no hemisfério oriental); assim, manifesta-se somente como alguém inclinado em demasia a impor seu ritmo pessoal em tudo com o que se envolve, devendo canalizar tal inclinação natural para os momentos em que dele se espere iniciativa e deixando de exigir de quem o cerca que acompanhe o seu ritmo — razão pela qual tantas vezes se vê sozinho, ao passo que quem havia se proposto a acompanhá-lo foi deixado para trás...

É homem portador de sólida inclinação natural para assuntos legais (Sol e Ascendente em Sagitário) e espetacular vocação para atividades de administração e planejamento (Saturno em Trígono com Urano), devendo orientar sua carreira de forma a ocupar um posto de comando ferreamente exercido (Plutão em Casa X e Saturno em Conjunção com o Ascendente) — a despeito da extrema hesitação em fazê-lo adequadamente, como também veremos adiante.

A naturalmente intensa preocupação com ética e justiça, aliada à busca incansável de oportunidades nas quais fazer valer seu ideal (seja este qual for!), devem ser refreadas ou mais produtivamente canalizadas, visando obter um melhor equilíbrio com o dia-a-dia concreto (Grande Trígono de Fogo); do contrário, este homem terminará pagando o preço de quem está sempre um palmo acima da realidade ou um passo à frente de seu momento.


3. Nascido em uma casa na qual o pai pontificava como "líder admirável e de sucesso", a despeito de pouco se envolver com a dinâmica doméstica (Sol em Sagitário e Saturno em Quadratura com a Lua), este homem cresceu aprendendo que as mulheres existem para servir ao homem... Desta maneira, não pôde aprender a estruturar relações de verdadeiro companheirismo com mulheres com as quais mais tarde viesse a se envolver.

Ferrenho admirador do pai, o qual via como uma pessoa de "inegável sucesso e valor", este homem cresceu com dificuldades em manter relacionamentos pessoais mais verdadeiros, já que ninguém é perfeito todo o tempo nem defende com unhas e dentes a verdade a cada instante, feito "paladino da justiça" (Sol em Sagitário, na Casa I); assim, passou a ocultar sob um exterior brincalhão e otimista uma profunda descrença na possibilidade de ser feliz e conseguir realizar seus próprios sonhos, senão à custa de abandonar seus mais profundos valores pessoais.

Ao mesmo tempo, foi criado sob o rígido mandamento paterno de sempre dizer a verdade, razão pela qual tornou-se compulsivamente "mais realista do que o rei", mesmo quando termina agindo de forma inadequada ou rude no exercício da franqueza (Sol e Ascendente em Sagitário); deverá rever, portanto, a pressão que o seu meio ambiente exerceu neste sentido, para reobter um pouco mais de diplomacia, uma qualidade sempre essencial no trato com as outras pessoas e que não tem de, necessariamente, se dar pelo comprometimento da lealdade e verdade (para ele, valores sempre fundamentais).

Seu lar de primeira infância foi, sem dúvida, excessivamente rígido no controle da espontaneidade emocional da criança (Saturno em Quadratura com a Lua), submetendo-a a um severo processo de abafamento. "Primeiro o dever, depois o prazer — e se não houver prazer não tem problema, desde que se tenha cumprido o dever!", era o lema central daquela casa, levando este homem a um pesado controle futuro de qualquer manifestação emocional ou sentimental, razão principal da melancolia constantemente sentida e do dolorido sentimento advindo do fato de não vislumbrar perspectivas emocionais felicitadoras para sua vida (Saturno em Quadratura com a Lua).

Por esta razão oscila pesadamente entre momentos de extrema emocionalidade (quando "elas escapam" ao controle) e de indiferenciação emocional (quando "elas se submetem" a um rígido processo de justificação interna), ocasiões nas quais sente grande dificuldade em identificar qual vivência emocional o está atravessando, inclina-se vigorosamente a buscar para relações mais próximas mulheres de alta instabilidade emocional, como pretexto para viver projetivamente a própria e intensa emocionalidade mal admitida.

Criança ativa e agitada (Marte em Áries e em Trígono com Urano), desde cedo foi bastante reprimido em suas manifestações de vontade (Saturno em Trígono com Marte e com Urano), com o que gradativamente desenvolveu um padrão de respostas oscilantes ("passividade-pancadaria") nos momentos em que se fazia necessária a defesa de seus direitos: assim, quando adulto, ou hesita em demasia, não reagindo e adiando para o momento em que lhe pareça mais adequado lutar pelo próprio espaço, ou se vê preso de ímpetos de forte imposição de vontade, atuados de forma por vezes até mesmo cruel.

Para alterar este padrão, terá de rever os muitos momentos de infância em que se via obrigado a abrir mão de sua natural força de vontade e (imensa) criatividade infantil, bem como trabalhar a brutal raiva que lhe fervia no peito nestes momentos, obrigado a se sufocar para agradar ao pai idealizado ou para respeitar o sofrimento da mãe martirizada e sofredora (a qual veremos adiante).

Esta carta natal nos informa que o pai e a mãe deste homem viviam como cão-e-gato, ou água-e-azeite, não conseguindo superar suas diferenças pessoais irreconciliáveis ( e Lua em Quadratura) e mantendo-se juntos apenas por conveniência ou interesses compartilhados. Com isso, cristalizou-se no inconsciente da criança a suposição de que homens e mulheres são sempre opostos em seus valores centrais, ou de base, com o que se inclinaria futuramente a buscar como companheiras apenas aquelas mulheres com as quais tivesse desentendimentos irreconciliáveis , mas junto às quais permaneceria como forma inconsciente de reproduzir o cenário doméstico no qual crescera.


4. O pai deste homem, além de proclamar aos quatro ventos e o tempo todo "a inegável superioridade masculina" (Sol em Sagitário), oferecendo à criança um modelo macho-man incontrastável, abafava a mãe em todo desejo que ela tivesse (Saturno em Quadratura com a Lua). Isto é: não apenas defendia esta suposta superioridade, como a praticava de forma cruel sobre a esposa, para não perder o controle sobre a situação (Saturno em Quadratura com Plutão)! Bastava a esposa manifestar alguma vontade, fosse qual fosse, bastava tentar expor alguma vivência emocional mais profunda e genuína, e este homem a abafava de modo absoluto.

A um ponto que se poderia dizer que seu motivo central de viver era abafar o feminino através de pesadas táticas de desvalorização e desconsideração de tudo o que viesse da mulher!

Em grande parte, este comportamento paterno se devia ao fato do pai não lidar adequadamente com a própria emocionalidade, embriagado por si mesmo que estava em sua "viagem masculina" de conquistas e mais conquistas pelo mundo e oferecendo assim, ao filho, um modelo vigoroso de abafamento do feminino. Futuramente, sua criança não aceitaria em si mesmo as emoções que o tomassem (Saturno em Quadratura com a Lua), abafando-as e a toda mulher com quem viesse a conviver, reproduzindo minuciosamente o perfil paterno.

Aliás, o modelo paterno que se vê nesta carta foi tão idealizado que dificilmente este homem conseguirá aceitar a idéia de trabalhar o que lhe veio do pai, afirmando só ser necessário resolver os problemas que lhe vieram da mãe — assim como os problemas que "elas" criam em sua vida! Além disto, a imagem do pai foi percebida através de um filtro arquetípico distorcedor (Saturno em Quadratura com Plutão), atribuindo-lhe um poder supostamente incontrastável.

É que admitir a imensa raiva que lhe vinha quando o pai se abatia com fúria sobre ele e seus arroubos de criatividade rebelde (Marte na Casa V em Trígono com Urano na Casa IX), momentos nos quais a criança tinha ímpetos de morte contra o pai mas se recolhia temeroso de mais violência ainda (Marte oposto a Júpiter, regente do signo onde estão o Sol e o Ascendente), parece tarefa intransponível para este homem, tal a culpa que lhe vem ao admitir conscientemente tais sentimentos.

Em sua vida adulta, não poucas vezes este homem terminaria se cercando de mulheres sobre as quais exercer tal férreo abafamento, expondo sua raiva quando contrariado e eventualmente até mesmo as agredindo fisicamente.


5. Porque a mãe apresentava um pano de fundo emocional de intenso masoquismo (Vênus em Escorpião), como "querendo ser rejeitada", razão pela qual adotava constantemente a postura de mártir sofredora de quem pouco ou nada pode fazer por si própria (Lua em Peixes) e "autorizava" este comportamento paterno.

Aliás, com muita probabilidade, apenas estes traços do psiquismo materno já nos explicam o que levava esta mulher a permanecer ao lado de um homem (o marido), numa relação que a negava constantemente e só a deprimia.

Este homem, portanto, teve por modelo feminino uma mulher melancólica, entristecida, limitada por uma moral comportamental estreita (Lua em Quadratura com Saturno), mas que nada fazia por alterar este estado de coisas, presa que estava de sua necessidade inconsciente de envolver-se em relações afetivas que só a fizessem sofrer (Vênus em Escorpião) ou dentro das quais pudesse atuar como a mártir que sofre em silêncio e guarda muito ressentimento em seu coração (Lua em Peixes).

E o pior, para aumentar esta imutabilidade, é que a mãe gostava genuinamente de si mesma (Lua em Trígono com Vênus) e era uma mulher portadora de forte emocionalidade (Lua e Vênus em signos de Água), o que levaria este homem (mais do que em outros casos, onde já se busca um modelo feminino que ressoe a mãe) a futuramente se aproximar e se envolver apenas com mulheres com um perfil análogo!

Como a mãe utilizava com freqüência a tática da culpa para controlá-lo, expondo sua dor e lamentando ter-se sacrificado tanto para criá-lo (Lua em Peixes, em Casa IV), entende-se que futuramente este homem teria imensa culpa em acusá-la fosse do que fosse e a outras mulheres também, por mais que as agredisse e abafasse continuadamente, culpando-as pelo "desequilíbrio emocional" que manifestava nestas horas ou negando-se a aceitar qualquer tipo de apoio emocional, temeroso de ser pesadamente cobrado depois.


6. Entretanto, trabalhar a relação havida com a mãe e o modelo introjetado a partir do pai, neste caso, será apenas meia tarefa: sem dúvida, poder se conscientizar da pesada rejeição amorosa sentida já intra-uterinamente (Saturno em Quadratura com a Lua) será um importante passo, mas enquanto este homem não puder reviver as marcas deixadas em seu psiquismo pelo tipo de parto que teve, não conseguirá alterar a crise de assertividade que tanto o abate.

É que sua carta astrológica natal nos informa claramente que o parto da criança foi prolongado e sofrido, muito provavelmente pélvico (com os pés voltados para o colo uterino, bloqueando a própria saída), como a indicar a decisão, ainda ao nível fetal, de não se expor ao mundo (Saturno em Conjunção com o Ascendente, na Casa I)!

(Aqueles que estranharem tal afirmação, saibam que o feto, pouco antes do início dos movimentos expulsórios uterinos, deflagra o processo de seu próprio nascimento através de estímulos químicos descarregados no sangue materno pelo cordão umbilical; experiências já realizadas com mamíferos superiores em laboratórios, dos quais se extirpou ainda no útero determinada zona cerebral, comprovam que sem o estímulo do feto o trabalho de parto não tem início.)

Como resultado, daí por diante todo e qualquer "começo" — mesmo que a iniciativa seja apenas o reinício de algo já executado um milhar de vezes — passou a parecer excessivamente perigoso para este homem, levando-o a procrastinar decisões e a evitar a tomada de atitudes.

A criança gradativamente construiu uma concha protetora de si mesma contra o mundo, quer o interno — as emoções —, quer o externo — os eventos — (Saturno em Quadratura com a Lua e Saturno na Casa I, em Conjunção com o Ascendente), dificultando ao extremo o abandono de máscaras através das quais lidar com a vida; assim, por trás de seu aparente otimismo e "segurança masculina" (Ascendente em Sagitário), sempre se escondeu uma timidez assustadora, uma insegurança defensiva e um conjunto de manobras destinadas a controlar o mais perfeitamente possível o meio ambiente suposto como ameaçador.

Seu grau de desconfiança é máximo e de auto-confiança é mínimo, por mais que aparente estar sempre no controle de tudo e de todos; "encalha" na vida feito barca que bate num banco de areia, vendo o fluxo da vida passar ao lado mas não conseguindo (e nem tentando, é verdade) chegar a nenhuma das margens.

É que se pede alguma coisa à vida o faz preso da certeza íntima de já ser um derrotado, "pois nada receberá"; e, desta forma, garante nada receber, reafirmando sua certeza íntima!

À medida que se disponha a utilizar produtivamente a própria força de vontade, poderosa (Marte em Áries) e disciplinada (Saturno na Casa I), num corajoso trabalho de desmonte das seqüelas que lhe advieram de tais experiências intra-uterinas, perinatais e de primeira infância, poderá inverter integralmente a roda de sua existência, abrindo-se mais plenamente à vida que se agita fora e às emoções que o vivificam a partir de dentro.

Para isto, terá de expor e trabalhar a imensa massa de raiva que carrega em si mesmo, pois as marcas emocionais de tal contenção de si mesmo com freqüência se manifestam através de uma língua ferina, tornando-o excessivamente agressivo em suas manifestações verbais (Mercúrio em Quadratura com Marte).

Aí sim, esgotada esta raiva que torna sua grande rapidez mental (Marte em Quadratura com Mercúrio) muitas vezes um empecilho no convívio com os outros, poderá colocar a serviço próprio a boa capacidade de organização burocrática que detém (Mercúrio em Capricórnio), o genial potencial conceitual que possui (Marte na Casa V em Trígono com Urano na Casa IX, Saturno em Trígono com Urano e um Grande Trígono de Fogo formado por Marte, Urano e Saturno), bem como a natural dotação para cargos de mando e poder exercidos a serviço do coletivo (Plutão em Casa X, em Virgem).

Ao mesmo tempo, poderá aprender a utilizar produtivamente sua boa capacidade de direcionamento de força de vontade (Saturno em Trígono com Marte e Marte em Trígono com o Ascendente) e a vocação judiciosa que detém (Sol em Sagitário e Ascendente conjunto a Saturno neste mesmo signo), transformando-se em um benfazejo orientador e juiz de pessoas: para isto poderá colaborar seu traço naturalmente compassivo (Lua em Peixes), após o abandono do excesso martirizado que a mãe lhe transmitiu.




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