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QUANDO A INFORMAÇÃO ADEQUADA FACILITA A EDUCAÇÃO Uma das atividades mais fascinantes do dia-a-dia profissional do astrólogo clínico é o atendimento de pais para fazer a análise clínica da carta astrológica natal de um de seus filhos: pai e mãe ali reunidos, conversando sobre o psiquismo e as futuras inclinações pessoais de uma criança de dias, meses ou apenas alguns poucos anos de idade, visando utilizar estas informações para aprimorar o processo de educação daquele pequeno ser para a vida — e, assim, auxiliá-lo preciosamente na tarefa de se constituir um adulto feliz!
Por este motivo, a despeito de tal atendimento ser pouco comum (dado o desconhecimento desta possibilidade pelos pais em geral e a muitas vezes falta de coragem dos pais de se encarar frente a frente e assumir suas responsabilidades de forma mais plena, já que a situação pessoal de cada um será profundamente discutida ao se analisar o psiquismo da criança), este livro não poderia deixar de mencionar tal fecunda possibilidade da Astrologia Clínica. VERSUS SINCRONICIDADE Vimos atrás que todos nós nascemos com determinados "filtros de leitura" já determinados pela nossa constituição psíquica original, razão pela qual apreendemos o mundo sempre parcialmente, deixando-nos marcar mais profundamente por certas categorias de eventos e até mesmo passando incólumes através de outras. Em outras palavras, todos fazemos uma pré-seleção do que nos é dado como estímulo externo desde bebês muito novos (na verdade, desde fetos) e por isto, de certa forma, participamos ativamente da construção do nosso próprio mundo: de tudo o que efetivamente nos é oferecido pelo mundo exterior, selecionamos de acordo com nossa estrutura psicoemocional mais profunda o que vamos utilizar como referenciais básicos de vida durante a construção inconsciente de nossos modelos de mundo, quase independentemente do que no futuro nos ensinarem ser certo ou errado, elogiável ou censurável, feio ou bonito e assim por diante. Munidos apenas com este conceito, que se comprova verdadeiro na prática do dia-a-dia, já poderíamos estabelecer o conjunto de valores centrais que nortearão inconscientemente uma pessoa em sua vida futura: sabendo como ela filtrou a percepção da realidade em sua primeira infância, e conhecendo os modelos inconscientes que daí por diante foram por ela estruturados, modelos estes que a partir "de dentro" orientariam todas as suas formas de comportamento, podemos predefinir para quais experiências básicas de vida esta pessoa — hoje criança, amanhã adulto — será impulsionada em sua vida cotidiana. Entretanto, além dos filtros de leitura com que a criança já nasce dotada, o meio ambiente termina por reforçar as imagens inconscientemente selecionadas por ela, atuando de forma a validá-las e a consolidar seus efeitos sobre o psiquismo da criança. Alguém poderia indagar: não será a criança que "induz" os adultos à sua volta a tais formas de comportamento, "desejosa" de ver reafirmada sua expectativa inconsciente nela instalada? Sim, é possível, como tantas vezes se nota, mas esta real possibilidade não explica tudo! Como a criança "faria" o pai ser alcoólatra, por mais que esperasse isto, quando sua carta astrológica natal indica uma figura masculina introjetada com tais características na primeira infância? Como a criança "faria" a mãe ser melancólica e depressiva, por mais que atuasse no sentido de induzir tal comportamento, quando sua carta astrológica natal indica uma figura feminina introjetada com tais características na primeira infância? Como a criança "levaria" pai e mãe a viverem uma certa dinâmica de relação — pai "ausente omisso" e "mãe dominadora- abandonada", por exemplo —, por mais que atuasse no sentido de favorecer o estabelecimento de tal estado de coisas, quando sua carta astrológica natal indica um modelo introjetado de relação pai/mãe com tais características na primeira infância?
Não, certamente a existência de filtros de leitura de mundo na criança e de expectativas inconscientes nela existentes em relação ao mundo externo não explica tudo; obviamente a carta astrológica natal também aponta muitos dos dados objetivos de realidade externa que sincronicamente a criança estará vivendo, por mais que não tenha a mais mínima chance de provocar ativamente a sua manifestação. E O MEIO AMBIENTE É com estes dois dados básicos que o astrólogo clínico analisará a carta astrológica natal de uma criança: de um lado, identificando com quais filtros de leitura a criança foi dotada e, de outro, identificando para os pais as muito prováveis formas de comportamento que durante a primeira infância da criança eles mesmos apresentarão (mesmo que no momento da análise não creiam provável tal possibilidade), de certa forma reforçando — ou não — o que tais filtros por si sós apreenderiam e reteriam. Ambos os conjuntos disponíveis de informação compõem o cenário geral que define já na infância o perfil global da criança e suas inclinações inconscientes de comportamento, bem como prepara o futuro adulto e predispõe as suas futuras manifestações comportamentais: será cordato ou violento? será disperso ou com boa capacidade de concentração? necessitará de constante dispêndio de energia muscular ou viverá bem em um modelo mais sedentário de vida? como lidará com sua sexualidade? o que em criança parece teimosia será a futura persistência do adulto ou somente um marcado traço inato de obstinação? ele atuará naturalmente a própria intelectualidade? qual sua verdadeira vocação profissional? necessitará orientação religiosa e espiritual? como lidará com a auto-imagem? como desenvolverá a auto-estima? como atuará sua sensualidade? Nesta ampla discussão, pai e mãe poderão ter uma visão a priori da futura pessoa que ali está se engendrando e compreender o papel conjunto que desempenharão a herança psicoemocional da criança e a influência modelar do meio ambiente, através das formas de comportamento emocional adotadas pelos pais consigo mesmos, praticadas entre si e manifestadas em seu convívio com ela. Obviamente, se parte da seleção dos estímulos do meio se dará pela predisposição psicoemocional inconsciente herdada da criança, em certa medida os pais pouco terão a fazer no sentido de impedir a formação de determinados modelos inconscientes ou de propiciar a construção de outros, tidos por eles como respectivamente inadequados ou adequados, de acordo com seus valores pessoais; tal dinâmica é praticamente inevitável, já que pai e mãe sempre trazem para o casamento e para a educação de suas crianças as marcas do tipo de história que tiveram, além de seus próprios traços pessoais. Por esta razão, até certo ponto não se pode falar de "culpas" ou de "escolhas erradas" por parte deles no processo até então adotado de educação de seus filhos. Afinal, já que também foram condicionados por seus próprios inconscientes e lidaram com a situação da forma como puderam, o que mais poderiam fazer além ou diferentemente do que já fizeram? O trabalho possível, porém, a partir da análise clínica da carta astrológica natal de um filho, será o de reforçar a possibilidade efetiva da criança de ver favorecidos os verdadeiros potenciais e atenuado o cenário interno já instalado que predisporá suas futuras características, de forma a minimizar os eventuais conflitos que se manifestarão em suas formas de viver a vida; ao mesmo tempo, este trabalho ajudará os pais a se preparar para a utilidade real de um possível trabalho futuro (ludoterapêutico ou psicopedagógico) de ajuda à criança ainda enquanto criança ou adolescente, não deixando apenas para a sua vida adulta o trabalho de reconstrução interna do que tenha que ser trabalhado para permitir uma harmonia interna maior. Porque o meio ambiente de primeira infância pode ter uma influência extremamente favorável à futura possibilidade da criança de lidar melhor com suas próprias características — mesmo que elas não agradem os pais ou destoem das expectativas deles! —, desde que os pais se disponham a isto; não é tarefa fácil, mas ao menos oferece a certeza de se estar caminhando no sentido correto, isto é, efetivamente de acordo com aquilo que fará a hoje criança, amanhã adulta, uma pessoa mais feliz e bem integrada.
Afinal, se não se pode alterar a herança genética, pode-se ajudar a criança a trabalhar melhor com ela e a se construir produtivamente a partir de si mesma! SOBRE A CRIANÇA Nas expectativas depositadas pelos pais em seus filhos (às vezes para resgate dos próprios sonhos nunca realizados, outras vezes apenas de acordo com modelos valorados pela família ou pela sociedade) reside sempre uma das chaves das futuras inadequações de uma criança: "papai" espera que seu filho seja de uma certa maneira, "mamãe" deseja vê-lo se comportando assim ou assado, todos atuam de forma a pressioná-lo e ninguém se lembra de indagar o que a própria criança gostaria de estar sendo e fazendo ou como gostaria de estar se sentindo em cada aspecto da vida com o qual se vê envolvida, de acordo com suas próprias características pessoais. (Quem não se lembra de já ter tido certeza de que tal ou qual escolha ou reação lhe parecia a melhor, tendo sido obrigado a se comportar de outra forma em nome do que papai ou mamãe achavam "adequado"?) Porque pais e mães sempre assumem a tarefa de criar seus filhos a partir de modelos preconcebidos e definidos desde há muito tempo, seguros de que tais modelos são os mais acertados e devem ser implantados a contento — sob pena de eles mesmos, pai e mãe, se sentirem (ou serem acusados de) incompetentes e falhos em seu papel. Tais modelos, em geral vindos da própria infância de cada um deles (aprendidos em casa ou desenvolvidos contra o que era vivido em casa, mas sempre tendo por referência o próprio processo de educação algum dia vivenciado e não o momento atual em que se está educando uma criança), terminam por se constituir em garrotes e balizas rígidas da criatividade do próprio filho ou filha e das manifestações de sua própria identidade pessoal, a qual sempre deriva das suas inclinações inconscientes individuais profundas, independente do que o meio considere aceitável, desejável ou elogiável. Por isto o trabalho de análise clínica da carta astrológica natal de uma criança requer dos pais uma sólida disposição de lidar com as próprias expectativas e até mesmo vê-las frustradas, desde que para o bem efetivo da criança. Os pais podem ter de abandonar seu desejo de ver o filho formado médico, por exemplo, se sua carta astrológica natal indicar uma sólida vocação para tarefas literárias; ou, por outro lado, podem se ver obrigados a abandonar a expectativa de sua filha tocar piano, se a carta astrológica natal desta criança não indicar nenhuma existência de potenciais criativos musicais. Estes são exemplos muito simples e superficiais, pois a análise clínica da carta astrológica natal de uma criança leva os pais a reflexões bem mais profundas: à medida que se desvela os reais sentimentos e as formas dominantes de comportamento que os pais estão vivendo durante a primeira infância da criança, pai e mãe se vêem obrigados a assumir a insatisfação sexual que estejam tendo, a violência que por vezes um ou outra manifestem em sua relação interpessoal, o eventual sentimento de não ter importância nenhuma frente ao outro, as prováveis imposições desta ou daquele sobre a vontade do outro, os jogos de controle e contra-controle que dominem a cena doméstica, as diferenças pessoais talvez até então não assumidas claramente e assim por diante.
As principais características individuais vividas pelo casal, assumidas ou não de forma explícita, se desvelam com o trabalho de análise clínica da carta astrológica natal de sua criança, pois elas compõem o cenário ambiental a partir do qual aquela criança estará construindo seus modelos inconscientes, futuras matrizes de comportamento; e isto termina por obrigar os pais a refletir sobre seus próprios problemas e inadequações, em proveito de sua criança e de si mesmos. A CARTA DA CRIANÇA? O fato de pai e mãe se verem mutuamente expostos de uma forma que até então não houvera, momento no qual o que cada um realmente está vivendo na relação se explicita, os leva a profundas reflexões sobre a vida conjunta, sobre os desejos e necessidades de cada um e sobre o real papel que estão exercendo sobre seus filhos. Mais ainda: este momento, iniciado com a longa discussão da carta astrológica natal da criança e da relação conjugal ali denunciada (base parcial dos conteúdos psíquicos daquela criança), leva pai e mãe a poderem discutir com mais propriedade aspectos de si mesmos e da relação que sempre foram deixados "sob o tapete" ou "para um momento mais adequado". Por esta razão muitos astrólogos profissionais não atendem, para a análise clínica da carta astrológica natal de uma criança, apenas um dos pais (exceto no caso de casais separados, quando em geral quem encomenda o trabalho é quem tem a guarda da criança): permitir que apenas um tenha acesso a esta realidade, a própria e a do parceiro, seria uma violação da privacidade daquele que não está presente! Por questões éticas, então, e também visando um melhor encaminhamento das discussões e atitudes que tenham de se dar em prol da criança (o motivo alegado daquele encontro), é necessário que pai e mãe estejam lado a lado neste delicado momento — nem que seja para se defrontar com aspectos da relação, de seus modelos educacionais e de si mesmos que não consigam admitir ou lidar com mais facilidade. O que a prática costuma indicar é que ambos, a partir daí e de acordo com suas características e disponibilidades pessoais, iniciam uma cuidadosa tomada de posição em relação a si mesmos e ao parceiro, além de aprofundarem as discussões sobre sua própria criança! O quê e em qual medida cada um pode fazer pelo bem-estar de ambos e da criança? do quê e em que medida cada um está disposto a abrir mão para o bem-estar e o desenvolvimento da relação e da criança? até que ponto cada um ou ambos são capazes de se ajudar mutuamente, rumo a objetivos que satisfaçam a cada um? até que ponto cada um está disposto a lidar objetivamente com as reais diferenças entre o que até então diziam estar acontecendo e o que realmente ocorre, como a carta astrológica natal de sua criança claramente o indica? Após este trabalho, muitas vezes se instala no casal a necessidade de buscar ajuda especializada, quer em nível das individualidades envolvidas (porque pai ou mãe vêem denunciada uma realidade pessoal antes nunca admitida ou sequer percebida), quer no que diz respeito exclusivamente à criança; pouco importa, contudo, o que se vá buscar, pois o fundamental é que o cenário emocional daquele núcleo familiar fica exposto e passível, então, de mudanças profundas. Porque, à medida que pai e mãe passam a ter preciosas informações sobre sua criança, sobre si mesmos e sobre os laços inconscientes que condicionam aquela realidade, podem orientar produtivamente tarefas maduras de lidar com a realidade objetiva e subjetiva da família e preparar para si mesmos um futuro mais felicitador, além de ajudar a criança a se desenvolver mais plenamente, de acordo com suas reais e próprias características psicoemocionais.
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